sábado, 5 de junho de 2010



Parece sempre óbvio querer ter orgulho do que fazemos e, por fim, de nós mesmos. Mas com o tempo descobrimos que isso de ter orgulho é um aprendizado e um exercício, tal como o que chamam de felicidade. É por fim pensar "faria de novo", como a teoria do eterno retorno.  É reconhecer que cada pedaço da vida - inclusive e, especialmente, o que não foi tão agradável - valeu a pena e teve sua importância.

E isso é tão difícil porque conciliar a vida real com essa que passa na nossa cabeça é um conflito - como já foi dito por aqui e por outras pessoas tantas vezes. Eu vou ter orgulho de mim no dia que for flautista, no dia que tiver minha casa com labrador, varanda e rede, no dia que me envolver com arte e educação da maneira que acredito, quando conseguir argumentar e expor as minhas opiniões, me impor sem ser arrogante, aprender a lidar com mais tranquilidade e menos stress com as pessoas e que tiver tempo pra ouvir e ler pelo menos metade do que tenho interesse. Isso é o mínimo.

3 comentários:

Stephanie disse...

Cissa,

numa boa - acho que seu erro está em fazer 'a vida' e 'a Vida'.

a vida é uma só e dá pra se fazer muita coisa quando a gente se dispõe a se arriscar e a aprender. Agora, olhar mais pro que a gente não tem como fazer agora, o que gostaria de fazer, mas não está fazendo [que é o que me parece os tons do teus últimos posts] só aumenta a distância entre a vida e a Vida.

por mais que o cotidiano seja fudido, que virar adulto seja uma barra, que deixar de fazer o que se quer para encarar o que a gente precisa fazer não seja fácil, se você não aprender (e isso se aprender) a colocar um pouco de arte, de poesia no cotidiano (seja fazendo, lendo, procurando, exercitando o olhar) essa vida pequena, diarinha, vai sempre parecer uma espera, uma preparação para um momento em que a Vida começa.

as pequenas conquistas são motivo de orgulho porque são elas que nos dão experiência, grana, oportunidade de fazer as grandes coisas.

acho que talvez você esteja pegando pesado consigo mesma. Mas não estou querendo da conselho ou ditar regra, isso aqui é só uma provocação, tá.

beijos!

ps.
chorei muito no final de 'a elegância do ouriço' - está entre os melhorres livro que li esse ano.

Fabrício Persa disse...

é.. se todos esses seus desejos mínimos(nos quais eu me encontro), significar que vc terá assim, orgulho de vc mesma. só lhe digo então, que também preciso conquistar um tanto de orgulho pra mim, daqui pra frente.

(:

brigado pela simpatia.
até.

Daniella disse...

antes de tudo, te desejo sorte moça
sorte em todas estas conquistas que fará com que tenha orgulho de si

alguns dias atrás eu me encaixaria bem nas tuas palavras. mas não hoje.
depois de passar semanas com a cabeça embaralhada, cheia de nós, percebi que as coisas tem a proporção que damos a elas.
e é aí que se encaixa tuas palavras. dá pra sentir um orgulho imediato de nós por simples fatos, como por exemplo, pensar diferente da maioria, e querer mudar algumas coisas. se a mudança só irá ocorrer daqui algum tempo, não importa. o importante mesmo, é que se está fazendo algo. e isso já é motivo suficiente para sentir orgulhosa de si.
acredito mesmo nisso
:)